
E foram anunciados os indicados ao Oscar 2010. Na visão dos críticos quase nenhuma novidade. “Avatar” saiu em disparada com nove indicações, mas não está sozinho. Lado a lado com a super produção de Pandora encontra-se o filme de guerra do momento “Guerra ao Terror” com nove indicações também. Um pouco atrás mas na cola dos dois está o novo filme de Tarantino, “Bastardos Inglórios”, com oito indicações. Por ultimo o favorito do Globo de Ouro – mas que decepcionou – “Amor sem Escalas”, com seis indicações. Caindo de predileto para apenas cumpridor de tabela.
A grande novidade deste ano é a quantidade de concorrência na categoria Melhor Filme – dez indicações. Essa inovação – que não é inovação, pois nos primeiros anos da cerimônia a categoria também tinha dez filmes indicados e com o passar dos anos caiu pela metade – deixou muitos críticos com o nariz virado. Alguns se perguntavam: “Como é que vão preencher essa categoria?”. Explicando: 2009 foi considerado um dos piores anos do cinema. Os estúdios não quiseram investir em muitas produções, com medo do fracasso devido a não lotação das salas de exibição – fato batido por Avatar. Culpa da crise financeira que se principiou no final de 2008. Mas o que pensavam ser impossível demonstrou ser plausível – com exceções, na minha opinião.
Bem, vamos aos indicados a Melhor Filme. Como já disse, neste ano serão dez os indicados que concorrerão pelo carequinha dourado. Fico feliz que alguns dos meus preferidos estão fazendo parte, como “Amor sem Escalas”, comédia perfeita para o momento que vivemos de capitalismo absoluto e individualismo social. Tendo como vilã a dominação da tecnologia da informática e quebrando todas a tradições. Substituindo o velho pelo novo. Excelente filme – o melhor de Jason Reitman, diretor também de Obrigado por Fumar e Juno. Grandiosa atuação de George Cloonney, mostrando cada vez mais que é um grande ator. “Bastardos Inglórios” é outro filme que me agradou também. Nunca ri tanto sobre a Segunda Guerra Mundial como nesta fita. Tarantino explorou com maestria e com humor negro a Resistência Francesa contra os nazistas – estes últimos mostrados como completos ignorantes e amedrontados pela milícia denominada Bastardos. Um grande elenco, todas as personagens tendo destaques nos momentos adequados. Ah, e o final brilhante que todos queriam que estivesse nos livros de História. Destaque fundamental para Cristoph Waltz magnífico em todas as cenas de seu personagem excêntrico e temperamental Coronel Hans Landa – fantástico. Não é à toa que Waltz vem acumulando prêmios por sua atuação e sem dúvida o Oscar também.
"Preciosa" preenche a categoria como representante do cinema Independente. Vencedor do Festival de Sundance em 2008 – a maior premiação para os filmes Independentes. O filme emocionou platéias em várias sessões. A ótima direção de Lee Daniels – indicado para Melhor Direção – é fabuloso. Magistral é o destaque da dupla de atrizes, Mo´nique – favorita ao premio de atriz coadjuvante – como uma mãe aproveitadora e odiosa e Gabourey Sidibe – indicada para melhor atriz – que só pelas feições de seu rosto nos mostra a plena tristeza de um ser humano excluído por não se adequar ao padrão de beleza da sociedade na década de 1980.
Os dois favoritos ao premio, “Guerra ao Terror” e “Avatar” são completamente diferentes entre si. Guerra ao Terror explora o dia a dia de um esquadrão anti-bombas nas ruas do Iraque. Além disso, mostra o sentimento psicológico das personagens em um ambiente inóspito. O filme tem seus altos – como as cenas de desarmamentos de bombas e conflitos entre o próprio pelotão – mas cai em outras que são irrelevante. Não acho um filme grandioso como os críticos apontam, e sim, regular, ao fato de não explorar a finco o que realmente está acontecendo no Iraque. Já outro filme favoritíssimo é "Avatar". O filme é inovador e nada mais. O roteiro é fraco, não explica alguns detalhes da trama, se importa mais para a ação de combate dos efeitos especiais, não explora o desenvolvimento das personagens.
"Up" chega para quebrar de vez a barreria que a Academia impõe aos desenhos - a última e única indicação ao Oscar para um desenho foi com "A Bela e a Fera" em 1992. O filme mostra que pode sim concorrer com os grandes, mérito para a Pixar que a cada ano nos presenteia com maravilhosas produções. "Distrito 9" a ficção científica do ano, sem dúvidas. Muito bem dirigido, mostra um Apartheid entre humanos e extraterrestres. O estilo documentário faz parecer real o que se passa na África do Sul futurística. "Educação", o repreesentante britânico, mostra a transição do pensamento da juventude na metade do século XX. Um filme encatador que foca a vida de uma garota de classe média que sonha em entrar na faculdade, mas é seduzida pelos prazeres da vida e o amor da puberdade. Destaque para Carey Mulligan - indicada para Melhor Atriz - muito bem no papel de uma garota inteligente mas ingênua para o mundo em transformação. "A Serious Man" dirigido e escrito pelos irmãos Coen. Este filme que muitos tinham esquecidos merece lugar entre os outros. Uma comédia que gira ao redor de uma família judia da década de 1960, muito mais em torno do patriarca - excelente atuação de Michael Stuhlbarg, esquecido pela academia - que começa a perder a promoção do emprego de professor, a mulher pede o divorcio para se casar com um dos amigos dele, os filhos incompreendidos e o irmão maluco que nunca sai do banheiro são alguns problemas que a personagem enfrenta ao decorrer do filme. As cenas de Michael ficando louco são de rir alto, o mesmo são as consultas com os Rabinos. Merece lugar e lembrança pela indicação. "The Blind Side" este filme nem devia estar na categoria, não sei o que deu na cabeça da Academia em indicar Isto. Não é um filme para Oscar, tirou vaga de muitos filmes bons. A única fórmula que funciona - eu pensava que nunca diria isso - é a grande atuação de Sandra Bullock no papel de uma mãe mão-de-ferro e ao mesmo tempo caridosa.
O filme que me agradou e gostaria que vencesse é “Amor sem Escalas”, como disse, é o filme do momento. Mostra sem clichês a ambição e o desinteresse das empresas ao funcionário que sempre batalhou pela instituição. Levantava bandeira, acordava todos os dias cedo para o seu trabalho, deixando para trás até a própria família, só tendo visão ao trabalho. De um certo tempo acaba sendo despedido sem nem um tapinha nas costa e obrigado. É nisso que a película se destaca, a verdade no mercado trabalhista atual. Quebrando de vez a famosa frase de que o trabalho dignifica o homem, e sim, rebaixa o homem. Meu filme favorito!
