Pego de surpresa no primeiro mês de faculdade, sou indiciado a fazer um seminário da matéria de Estudos Clássicos sobre o filme Satirycon de Fellini. Por um lado fiquei contente em analisar uma obra do maestro italiano, por outro uma GRANDE responsabilidade para falar sobre o excepcional diretor dos maravilhosos "Oito e Meio" e "La Dolce Vitá".
Mas isso não afetou a minha curiosidade e decidi assistir, num momento olhos arregalados nos primeiros 30 minutos. O filme te transporta para o século I d. C. nos anos de decadência do vasto Império Romano, em pleno governo do louco Nero. As cenas são fortes, mostram uma Roma obscura, selvagem e sem raciocínio. Pessoas se transformam em animais, não se importando com o próximo, sendo como única alternativa o instinto de sobrevivência.
Nesse contexto está incluso a história de Encópio e Ascilto, dois jovens itinerantes que sentem paixão pelo garoto Gitão, isso coloca-os em confronto de ciúmes pelo amor do menino. No caminho eles encontram um velho e decadente poeta Eumolpo, que decide ir junto com o trio em busca de Príapo, a deusa da ereção, pois Encópio fora amaldiçoado pela própria a ficar impotente devido a profanação feito por ele aos deuses.
A direção de arte é fenomenal, influência do Surrealismo, principalmente de Dali e Magritte. As cenas de nudez e sexo são o ponto forte. A maravilhosa sequência do Banquete de Trimalchio - considerado o melhor capítulo do livro de Petronius - é de total sarcasmo para com os jantares exuberantes da classe alta daquela era. Assim como no romance, a película termina sem conclusão, não mostra o desfecho da personagem Encópio, mas o espectador já pode ter uma certa noção de seu destino.
O filme fez muito sucesso no ano de seu lançamento em 1969 - auge da revolução sexual iniciado pelo movimento Hippie - sendo um marco de liberdade para a mente jovem presa a antiga cultura de influência religiosa, autoritária e opressora das décadas de 1950 e 1960. Fellini traz para o público a cultura clássica romana - em que homossexualismo era ato normal. Tentando a juventude à mudar os métodos impostos por seus pais e assim, renovar o modelo de sociedade. Sendo herança para os nossos anos.

Há poucos dias eu assisti a algumas partes e adorei! Pena que não pude ver o filme inteiro.
ResponderExcluirEstava querendo lembrar o nome, coloquei no google algumas palavras-chave e encontrei seu blog.
Tava passando no TeleCine Cult. Bem alternativo, por sinal.
Sua crítica é interessante. Mostra também que tem bom gosto.
Abraços,
Priscila.